terça-feira, 8 de novembro de 2011

...Seria uma grande noite para ana, ao se arrumar, colocou uma blusa nova, a calcinha combinando com o sutiã e mesmo vendo que ia chover vestiu um short porque sabia que ele gostava de suas pernas. Arrumou a bolsa, checou todos os itens -green, isqueiros, chaves, batom e um ácido e meio guardados no celular- estava pronta pra sair mas demorou um pouco pra não chegar antes e parecer ansiosa, mas não conseguia disfarçar as pernas trêmulas que tremiam não só pelo frio.
    Ana chegou no lugar combinado, no último banco perto do cruzamento da rua principal, ele não tinha chegado ainda e estava garoando mas ela sentou lá assim mesmo. Dez minutos se passaram mas em sua sua cabeça já tinham decorrido pensamentos pra mais de uma hora. O celular toca, nova mensagem: "tô chegando, o bus atrasou" o alívio tomou conta de seu corpo. Olhou pro céu que estava sem estrelas, mas tava bom, era o que tinha pra hoje. Não demorou muito mais pra ele chegar, de bermuda, camisa e jaqueta. Um beijo tímido de cumprimento, ana estava meio acanhada pelos conhecidos ao redor mas mesmo assim de mãos dadas acenaram pros colegas da noite, se juntaram a roda, acenderam um -puxa, prende, solta- e ri.
    Deram umas voltas, viram pessoas, colocaram a conversa em dia, sentaram num banco. Silêncio. Ana pergunta se ele já quer o paper, ele diz que sim, ela tira o tão esperado que estava bem enrolado num plástico, não queria perder uma micrograma da substância divina. Meio pra cada, talvez começaram com muito, mas eles queriam assim mesmo. Silêncio. Esperam ansiosos Ele dissolver embaixo da língua. Dão mais algumas voltas, conversam, laricam um churros que aliás, estava incrivelmente delicioso, ana diz que tá com frio e ele sem pensar tira a jaqueta e dá pra ela, ana primeiramente recusa o gesto de filme brega de romance, mas depois aceita porque tava fazendo frio de verdade.
    Vão abraçados pro ponto de ônibus, riem, curtem a brisa fria, olham pro céu, se beijam, o ônibus chega, entram e já conseguem perceber os primeiros sintomas da lisergia correndo pelas veias, e então fazem planos do que fazer ao chegar em casa.
    Descem do bus, chegam na casa da ana, e já a preenchem com cores, ligam o computador e veem videos bobocas na internet, se beijam de novo e vão pro quarto.
    Ana estava um pouco nervosa e talvez ele também estivesse, mesmo não sendo a primeira vez que eles tem esse tipo de experiência. A coisa começa a ficar quente, tiram a roupa, transam, e pelados, continuam deitados na cama conversando sobre coisas que nem eles mesmos sabiam o que eram e o que significavam, mas que parecia ter muito sentido na hora.
    Levantaram depois de um tempo e foram ver televisão, a essa hora nem os vizinhos estavam mais acordados e em silêncio fizeram batatas e viram clipes. E que clipes! Músicas que eles nem conheciam pareciam incríveis e muito vivas, mas eles queriam mais, mais um quartinho e tudo ficaria perfeito. E foi o que fizeram. Enquanto esperavam dissolver aproveitaram pra ir pro quarto, eram jovens e insaciáveis e cada toque era uma nova sensação. Fizeram coisas que nunca tinham feito, novas experiências, e claro, gostaram do que descobriram.
   Tentaram dormir mas estavam muito pilhados, dizem que essas coisas afetam seu sono e causam danos no cérebro, nem ligavam mais pra isso, eles estavam realmente bem.
   Já amanhecia e ainda de pupilas dilatadas e cansados seguram a onda, vão pra sala, mais sexo, descansam, conversam e tentam dormir de novo, mas parecia uma missão impossível.
   Olharam pra fora e viram que a chuva os acompanhou durante a noite toda, a rua tava molhada e as folhas bem verdes, talvez o verde não estava assim tão intenso só pela chuva mas eles tavam bem.
   Ele achou que já estava na hora de ir pra casa, e então se beijaram, e os beijos que mais pareciam beijos de despedida eterna foram cessando aos poucos, ela abriu o portão e sorrindo, observou ele até sumir de vista.
ela queria grandes noites de grandes festas
tudo que tinha eram noites solitárias e bebidas amargas
ela queria uma casa a beira-mar
tudo que ela tinha era um quarto frio e úmido
ela queria um bom emprego e ser bem-sucedida
tudo que ela tinha eram alguns trocados e contas a pagar
ela queria abraços e sorrisos verdadeiros
tudo que tinha eram lágrimas
ela queria viver um grande amor
tudo que ela tinha eram casos de uma noite só

ela já pensou em desistir, já se perguntou o que fez... mas ela não fez mesmo nada.